Xavier Huetz de Lemps, "Nommer la ville: les usages et les enjeux du toponyme "Manila" au XIXe siècle", Genèses, 1998, nº33, 28-48.

Trata-se de um texto original que se debruça sobre os usos da toponímia urbana. Através de um estudo de caso específico e da análise pormenorizada de evoluções complexas, surge aqui um objecto de história urbana particularmente aliciante que, longe de se limitar a algumas considerações anedóticas ou curiosidades, permite ilustrar os conflitos e as negociações entre diferentes modos de apreensão e de leitura do espaço urbano. As evoluções nos usos da toponímia urbana dependem de uma grande diversidade de factores: jogos de poder, relações socio-étnicas, representações e práticas da centralidade urbana… etc. Não existe correlação simples entre evolução territorial e o uso da toponímia. Este texto seduz também pela invenção na utilização de fontes originais: moradas de estabelecimentos comerciais; lugares de edição de livros, etc.
Por Frédéric Vidal.

Manning, P. K. & J. Van Maanen (eds.), 1978, Policing. A view from the streets, New York: Random House.

Esta obra reúne alguns dos principais nomes de investigadores que estudaram o policiamento, em particular a patrulha, em contextos urbanos norte americanos, enfatizando o carácter activo e sociologicamente apreendido do trabalho de polícia. São colocadas duas questões de partida: Porque é que os polícias vêem o mundo da forma como o vêem? Que consequências derivam dessa mundivisão? É claramente privilegiada a diligência etnográfica com análise de fontes e observação participante. A obra divide-se em cinco partes: analisa o processo histórico de emergência da polícia norte americana, os contextos, estratégias e práticas do policiamento e a socialização dos polícias. Conclui-se que apesar do movimento de mudança das polícias entre finais de 1960 e a década de 1980, existe uma resistência massiva à mudança organizacional e um tradicional conservadorismo que pesa na instituição policial. As questões levantadas neste livro já há umas décadas mantêm-se hoje centrais para quem deseje perceber melhor o trabalho dos polícias nas cidades.
Por Susana Durão.

LAGUERRE, Michel S., 1994, The Informal City, Houdmills, Basinstoke, Hampshire and London: MacMillan Press Ltd.

Muitas vezes ignorado entre as prateleiras das bibliotecas, The Informal City procura conceptualizar as práticas informais, mais do que dar conta delas, uma vez que essa tarefa já estaria, segundo o autor, bastante desenvolvida (1994:xi). Laguerre sustenta que o próprio sistema formal será melhor entendido se percebermos o funcionamento das regras das práticas informais. O autor vê estas práticas como todo um sistema de acção, desenvolvido para atingir objectivos específicos. Laguerre sublinha que as normas do sistema formal nem sempre coincidem com as normas sociais e essa não coincidência, bem como a rigidez dos processos burocráticos, favorecem as práticas informais. Estas práticas adaptam-se ou resistem ao sistema formal, dependendo da situação. Por vezes, a formalização parcial da estrutura informal acontece para que esta seja mais eficaz ou para ser levada mais a sério (1994:86). Esta forma de análise surge como um importante contributo de desconstrução das práticas culturais, alternativo ou complementar à análise dos modos de vida.
Por Rita Cachado.

GULICK, John, 1989, The Humanity of Cities. An introduction to urban societies, Massachussets, Bergin & Garvey Publishers, Inc.

Neste livro, Gulick escreve a favor da ideia de uma cidade humanizada, de forma construtiva, e procurando afastar-se do, como lhe chama, preconceito anti-urbano (1989:5). O autor sublinha que mesmo as análises que privilegiam uma ideia de cidade heterogénea não nos ajudam muito a compreender determinados fenómenos urbanos. Não deixando de contextualizar os autores na sua época, em The Humanity of Cities Gulick começa por fazer uma breve antologia dos autores e obras que analisaram as cidades de vários pontos de vista. Segundo o autor, muitas das análises acabam por sublinhar os problemas das cidades, em vez de dar relevo aos aspectos mais positivos da vida nas cidades. Não basta dar conta das dinâmicas urbanas que sobressaem dos contextos sociais, políticos, económicos e culturais. Gulick refere a importância das pequenas escalas e das redes de relações pessoais para melhor estudar as diversas temáticas urbanas. Nessa acepção, as estratégias de apoio e de sobrevivência têm um papel central na análise de Gulick, uma vez que, ao prestar atenção a estes fenómenos estaremos mais próximos daquilo que chama a cidade humanizada.
Por Rita Cachado.

CABANEL, Patrick, 2005, "Os católicos na rua: a igreja e o controlo da via pública em França (séc XIX-XX)”, in BRODY, Jeanne (org), La Rue, Toulouse.

Incluído numa obra recente completamente dedicada à rua como unidade de análise, neste artigo, o autor dedica-se a analisar as manifestações de rua da Igreja Católica em Paris, numa época em que esta instituição procurava repescar as almas perdidas para o recente estado republicano e laico. Desde a arquitectura monumental, passando pelos cruzeiros, utilização dos sinos, até às procissões, o autor analisa estas formas de apropriação do espaço público pela igreja. Por oposição, o estado republicano responde com a laicização das ruas. A análise das formas actuais de apropriação das ruas (Cabanel escolhe o paralelismo com o Islão) por parte de instituições religiosas têm, neste artigo, um fundamento que não deve ser negligenciado.
Por Rita Cachado


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